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Não tão excitante assim



Partilho contigo, que estás aí desse lado, um pensamento que me tem pairado na cabeça.


A mente humana é atraída pelo novo, pelo excitante, pelo intenso, pelo surreal. E inconscientemente buscamos isso nas mais diversas áreas da nossa vida. Convencidos talvez, que uma vida bem vivida é algo muito próximo de uma aventura, intensa, com novidades constantes.


A minha experiência tem-me dito justamente o contrário. Mesmo estando a milhares de km da minha aldeia natal, o que aprecio mais no meu dia é a rotina, as coisas chatas que repito dia após dia. As coisas aborrecidas como poder acordar em paz, beber o meu café, ler, trabalhar com os meus pupilos, aprender, ensinar, dar uma caminhada à noite com a minha parceira. São o tipo de coisas, que podem ser consideradas aborrecidas, monótonas, mas que para mim, me dão um sentido, tranquilidade e tudo o que necessito.


Embora andes por culturas distintas, tendo 1001 locais para visitar, várias cidades/ países para conhecer, escolho voluntariamente o mais aborrecido todos os dias. Reservando essa exploração para segundo plano.


O conceito de uma vida boa é algo muito pessoal. O meu plano de ação para perceber o que realmente importa para mim passou por, como tenho vindo a dizer, reduzir ao máximo o ruído exterior. Evitar ter que estar à altura das expectativas dos demais. E é uma tarefa dificil meus caros. Saber filtrar o que interessa, o que não interessa, evitar ser influenciado por imagens, pessoas ou ideias ou outras coisas que nos são externas, poderá ter sido ( talvez) a decisão mais sábia que tomei. Quantos de nós, ou melhor, quantas vezes não vivemos nós a vida de outros ou a vida que achamos que os outros considerariam o correcto.


O conceito de uma vida boa é algo que tens que descobrir por ti mesmo, tentativa, erro, reflexão e ajuste.



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